A avaliação psicológica consiste num procedimento estruturado que tem como objetivo avaliar e descrever o funcionamento psicológico de crianças, adolescentes e adultos, recorrendo a técnicas e instrumentos específicos (ex.: entrevistas, provas psicológicas, questionários).
Este processo segue o modelo biopsicossocial, considerando fatores biológicos, psicológicos e sociais, cuja interação explica a predisposição, o desencadeamento e/ou a manutenção das dificuldades de cada pessoa. Este modelo permite uma conceptualização compreensiva de cada caso e a elaboração de um plano de intervenção psicoterapêutico individualizado e efetivo, de acordo com as necessidades únicas de cada pessoa.
O protocolo inclui sempre o recurso a instrumentos devidamente validados para a população portuguesa, garantindo rigor científico e respeito pelas normas deontológicas da profissão.
Na generalidade, a avaliação culmina na elaboração de um relatório psicológico, que descreve os métodos e instrumentos utilizados, os resultados obtidos e as conclusões alcançadas. Sempre que necessário, o relatório inclui também recomendações para a própria pessoa, para os pais da criança ou adolescente, e/ou para outros profissionais relevantes (médico, pediatra, educador, professor). Poderá ainda propor um plano de intervenção psicoterapêutico, quando se mostre indicado.
Exemplos de aplicação da avaliação instrumental
Crianças: identificação de atrasos no desenvolvimento, perturbações do espetro do autismo, perturbações da linguagem, perturbações do desenvolvimento intelectual, dificuldades de aprendizagem (ex.: leitura, escrita e matemática), perturbações emocionais (medos, ansiedade, depressão), vivências de luto e situações de divórcio parental.
Adolescentes: avaliação de perturbações emocionais (ansiedade social, depressão, baixa autoestima, ideação suicida), perturbações do desenvolvimento intelectual, dificuldades de adaptação escolar e social, orientação vocacional, despiste de perturbações de hiperatividade e défice de atenção.
Adultos: avaliação de perturbações emocionais (depressão major, perturbação de ansiedade generalizada, perturbação de stresse pós-traumático), impacto de luto ou trauma, acompanhamento em doença crónica, perturbações da personalidade mais comuns (borderline, histriónica, obsessivo-compulsiva, evitante), bem como avaliação neuropsicológica em contexto clínico ou forense (ex.: acidentes, processos judiciais, avaliação de condutores).
O objetivo final da avaliação psicológica é fornecer uma compreensão integrada, rigorosa e individualizada de cada caso, permitindo fundamentar um plano de intervenção baseado na ciência, na ética e no código deontológico da OPP.



